A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NA FORMAÇÃO DO HÁBITO ALIMENTAR DA CRIANÇA.

 

Renata Juliana da Silva

Nutricionista/CRN-3: 24411 Especialista em Fisiologia e Metabolismo Aplicados à Nutrição e Atividade Física – ICB/USP Mestre em Ciências Morfofuncionais – ICB/USP Doutoranda em Ciências Morfofuncionais – ICB/USP

 

RESUMO

A infância é um estágio de vida que requer atenção, visto que, nesta fase as necessidades de energia e nutrientes são importantes para garantir um excelente desenvolvimento físico e mental, sendo importante estabelecer hábitos saudáveis, como uma alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos, fatores estes que estão intimamente relacionados ao estado nutricional. A formação do hábito alimentar é influenciada por uma série de fatores, tais como: fisiológicos, psicológicos, socioculturais e econômicos. A aquisição do hábito alimentar ocorre à medida que a criança cresce, até o momento em que ela própria escolherá os alimentos que farão parte da sua dieta. Frente a isso, este artigo busca avaliar os fatores envolvidos na formação do hábito alimentar infantil, dando ênfase na atuação dos pais no mesmo, uma vez que hábitos errôneos de alimentação e prática de atividade física nesta fase podem propiciar o desencadeamento de doenças crônicas na idade adulta.

 

Breve histórico da alimentação.

Estudos realizados no Brasil e em outros países têm demonstrado o fenômeno denominado “transição nutricional”, a qual integra os processos de transição demográfica e epidemiológica, envolvendo mudanças nos hábitos alimentares, como aumento do consumo de alimentos com alta densidade energética e a redução do consumo de cereais, frutas e vegetais, que acompanham mudanças econômicas, sociais e demográficas, e do perfil de saúde das populações. Processo o qual ainda não se concluiu. Tais aspectos da transição nutricional confirmam-se frente ao quadro epidemiológico dos distúrbios nutricionais e das doenças relacionadas à alimentação e nutrição no Brasil. Pode-se observar um decréscimo importante da prevalência de desnutrição e baixo peso em todas as faixas etárias e regiões, especialmente em crianças de zero a cinco anos, seguido de um forte incremento nas taxas de sobrepeso e obesidade.

 

Hábito alimentar infantil.

O comportamento alimentar é complexo, incluindo determinantes externos e internos ao sujeito. A formação do hábito alimentar é influenciada por uma série de fatores: fisiológicos, psicológicos, socioculturais e econômicos. A aquisição do hábito alimentar ocorre à medida que a criança cresce, até o momento em que a própria escolherá os alimentos que farão parte da sua dieta. Quando pequena, seu universo se restringe, geralmente, aos pais e cabe a eles determinar que alimentos lhe serão ofertados. À medida que a criança passa a frequentar a escola e a conviver com outras crianças, ela conhecerá outros alimentos, preparações e hábitos. Os adultos são modelos, delineando as preferências alimentares das crianças. Os vínculos afetivos poderão influenciar positiva ou negativamente na fixação dos padrões de consumo alimentar. É grande a influência da mídia na formação dos hábitos alimentares.

 

Fatores internos que influenciam o hábito alimentar infantil.

O hábito alimentar infantil pode ser influenciado por uma gama de fatores, sendo os fatores internos aqueles ligados às questões fisiológicas e psicológicas, tais como: experiências intrauterinas, paladar do recém-nascido, aleitamento materno, neofobia, regulação da ingestão de alimentos.

 

Fatores externos que influenciam o hábito alimentar infantil.

Os fatores externos relacionados a formação do hábito alimentar infantil, diz respeito às questões ambientais, culturais e socioeconômicas, sendo eles: alimentação dos pais, o comportamento do cuidador, as condições socioeconômicas da família, influência da mídia (televisão, rádio, internet), alimentação em grupo (escola e amigos).

 

A importância da família na formação do hábito alimentar infantil.

A infância é o período de formação do hábito alimentar. O entendimento dos fatores determinantes possibilita a elaboração de processos educativos, que são efetivos para mudanças no padrão alimentar das crianças, uma vez que, tais mudanças irão contribuir no comportamento alimentar na vida adulta.

 

Dentre os diversos fatores mencionados que influenciam o hábito alimentar infantil, o aspecto familiar é o que mais exercer força na construção do comportamento, uma vez que, desde a mais tenra idade, a criança já começa a criar seus laços afetivos, psicológicos e emocionais com o alimento, desde a amamentação, fator esse crucial para o desenvolvimento de qualquer ser humano.

 

A alimentação dos pais costuma exercer influência decisiva na alimentação infantil, afetando a preferência alimentar da criança e sua regulação da ingestão energética. Na infância a criança aprende, sobretudo, por imitação, nesse sentido o convívio familiar pode contribuir para aquisição de hábitos alimentares saudáveis ou errôneos, uma vez que, os pais, bem como, os irmãos são o espelho dessa criança, e a alimentação da família ditará o futuro do comportamento alimentar deste infante.

 

São comuns alguns preconceitos, tabus alimentares e atitudes que levam a erros alimentares e prejuízos à saúde, como os pais ou educadores "obrigarem" as crianças a comer determinado alimento em troca de presentes, passeios etc., o que pode resultar em traumas definitivos. A supervalorização dos doces também pode ocorrer, quando estes são premiações para o bom comportamento da criança.

 

A influência dos pais e irmãos (família), assim como a de outros cuidadores na alimentação das crianças, não somente se dá em relação às atitudes tomadas, como também, pelo exemplo dado, já que a observação de outras pessoas se alimentarem favorece a aceitação por novos alimentos. Dessa forma, os pais deveriam, então, dar mais importância a realização de suas refeições junto às crianças, valorizando o papel da família, bem como, enfatizando a importância da alimentação saudável, pois são fatores importantes para a formação do hábito alimentar infantil.

 

 

BIBLIOGRAFIA

BEAUCHAMP, G. K.; MENELLA, J. A. Períodos sensíveis no desenvolvimento da percepção dos sabores e na sua escolha pelo ser humano. Anais Nestlé. v. 57, p.21 – 34, 1999.

BIRCH, L.L. Os padrões de aceitação do alimento pelas crianças. Anais Nestlé, v. 57, p.12-20, 1999.

BIRCH, L. L.; DAVISON, K. K. Family envaironmental factors influencing the developing behavioral controls of food intake and childhood overweight. Pediatr Clin North Am, v. 48, n.4, p. 893-907, 2001.

COULTHARD, H.; BLISSET, J.; HARRIS, G. The relationship between parental eating problems and children’s feeding behaviour: A selective review of the literature. Eating behaviors, v. 129, 2003.

RAMOS, M.; STEIN, L. M. Desenvolvimento do comportamento alimentar infantil. Jornal de Pediatria, v. 76, supl.3, p.229 – 237, 2000.

VITOLO, M.R. Nutrição da Gestação ao Envelhecimento. 2a edição. Editora Rubio. Rio de Janeiro, 2014.

 

 

Renata Juliana da Silva, é nutricionista, especialista em Fisiologia e Metabolismo Aplicados à Nutrição e Atividade Física, Mestre e doutoranda em Ciências Morfofuncionais pela Universidade de São Paulo (USP), além de pesquisadora e professora de cursos técnicos, graduação e pós graduação em Nutrição e áreas de saúde. 

Please reload

Últimas Postagens

PSICOPEDAGOGIA E PSICOMOTRICIDADE: ENTRELAÇAMENTO NECESSÁRIO DE CONHECIMENTOS

March 2, 2016

Flávia Teresa de Lima
Terapeuta Ocupacional – Pedagoga
Psicopedagoga
Mestre em Psicologia Educacional

 

Introdução
Este artigo apresenta o resultado de...

1/10
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Siga-Nos
Please reload

Procura por Tags
Please reload

Histórico
  • Facebook clássico
  • Instagram clássico

© 2015 por Design DR. Todos os direitos reservados para a equipe Falando em Educação.